Guardar o Sábado – um hábito bíblico para a vida moderna

Guardar o Sábado 1

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Fim-de-semana. Depois de uma semana de trabalho, escola, lancheiras e despertadores, eis o descanso. Mas é mesmo? Ou o fim-de-semana passa a correr entre supermercado, limpar, arrumar, lavar roupa e saltar entre três reuniões familiares diferentes? E quando chega a Segunda-Feira de manhã recomeçamos tudo, ainda mais cansados do que antes?

Na última Miscelânea Ocasional, mencionei que andamos a “guardar o Sábado”. Não me alonguei muito porque queria mesmo escrever um post inteiro sobre esta experiência. Historicamente, a ideia de guardar o Sábado vem do Êxodo, quando Deus terá revelado a Moisés os mandamentos e um deles ordena “lembra-te de guardar o Sábado, para o manter santificado”. O Sábado, seria portanto um dia dedicado ao descanso e à devoção religiosa. Quando digo descanso, é mesmo descanso hardcore. As proibições durante o Shabbat judaico incluem coisas como tecer, carregar coisas para fora de casa, tosquiar ovelhas, e tal. Vindo o cristianismo, o dia santo passou a Domingo, sem proibições mas igualmente com serviço religioso. Pronto, isto é o contexto histórico/religioso, para não acharem que estou completamente maluquinha.

Há umas semanas estava a ouvir um podcast norte-americano onde a locutora diz que ela e a família começaram a praticar o descanso semanal, numa espécie de shabbat moderno (e, no caso dela, cristão). Ora, nós somos ateus. Mas será que não podemos aprender nada com esta ideia?

Decidi que sim, que iamos tentar.

As nossas regras para Sábado:

(relembro que o funciona para a nossa família neste momento pode não ser o ideal para outras famílias ou outros momentos; cada um sabe do seu contexto e fará as suas regras)

Não há tarefas domésticas – é tudo dividido pelos outros dias; antes de começarmos com esta experiência, Sábado era o dia de lavar os caixotes do lixo/reciclagem/gato. Esta tarefas foram transferidas para as Quintas. De resto, só lavamos mesmo os pratos das refeições; nem a cama me dou ao trabalho de fazer, até porque frequentemente durmo a sesta aos Sábados ou passo a tarde deitada a ler um livro de janela aberta. Não se apoquentem; a roupa por arrumar espera por vocês noutro dia qualquer.

Não cozinhamos – comemos restos de outros dias, comemos fora, comemos congelados. Fazer uma lasanha na Sexta ajuda. Isto também ajuda a reduzir o número de loiça a lavar. Se nos apetecer fazer um bolo para o lanche, fazemos claro, mas não é uma tarefa.

Não vamos às compras – só se formos dar um passeio e passarmos pela padaria, ou assim. Supermercados? Centros Comerciais? Hell no.

Não usamos ecrãs individualmente – mensagens de telemóvel são a excepção. De resto, ecrãs só para ver filmes em conjunto, jogar Mario Kart um contra o outro (ele ganha sempre…), Skype com a família, enfim coisas com outras pessoas. Claro que se o meu marido estiver a trabalhar eu estou “autorizada” a ver um filme sem ele. A ideia é não cairmos nas profundezas da internet enquanto podíamos estar a curtir a família. Portanto não há Facebook, Instagram só se for para filmar no Stories e esqueçam o Pinterest, esse poço demoníaco sem fundo.

Não nos excedemos em compromisso sociais – para quem tem família extensa/longe esta pode ser difícil. É ao fim-de-semana que se fazem as reuniões familiares, as festas de anos, é quando os avós querem ver os netos, etc. Mas às vezes temos de dizer que não. Até porque nós também trabalhamos a semana toda e também queremos tempo só os 3 ao fim-de-semana! A ideia é encontrar um equilíbrio: um compromisso familiar por fim-de-semana e, idealmente, ao Domingo. É claro que se há um familiar próximo que se casa num dia e outro que faz anos noutro, vamos. Mas essas situações são raras. Temos de perceber que todo o tempo que passamos a andar de carro de um lado para o outro, a gerir sestas e comida, a chegar a casa tarde, tudo isso nos cansa.

Imaginem só: acordar no Sábado e não ter nada para fazer! Descansar, calar o ruído constante das tarefas, das redes sociais, dos jornais online que abrem link atrás de link. E para quem tem filhos pequenos, só o cuidar das necessidades básicas do gremlins já é trabalho suficiente!

Mas como é que podemos abdicar do Sábado como dia útil para tarefas?

Boa pergunta. É preciso algum planeamento. No nosso caso passamos a tal lavagem de caixotes para outro dia. Não sei se vocês têm as tarefas domésticas divididas pelos dias da semana, mas se não têm, está na altura.

Dizer Não a esta correria toda é dizer Sim ao tempo em família, ao descanso de que precisamos e às nossas necessidades individuais (AH! lembram-se que somos pessoas  únicas com necessidades únicas?) . É no tempo em que “não fazemos nada” que recarregamos baterias, que nos entretemos com pensamentos novos, deixamos fluir a criatividade, tudo isso. Não é por acaso que os professores universitários tiram ocasionalmente “anos sabáticos”; cada vez mais os jovens começam a fazer o mesmo entre o secundário e o ensino superior (ou outra via de estudo/trabalho); é essencial para o desenvolvimento intelectual uma pausa do trabalho quotidiano para descansar e reflectir, possivelmente estudar algo que nos interesse mais, ter outro tipo de experiências às que estamos habituados. Vamos lá ver: se até Deus trabalhou seis dias e descansou ao sétimo, como é que nós, comuns mortais, havemos de manter a sanidade mental sem descansar?

Bom fim-de-semana (com uma pausa sabática)!

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Chau min de legumes

Chau min de legumes 1

Na última Miscelânea Ocasional mencionei que uma das coisas que andamos a comer é chau min de legumes. Tenho de confessar que detesto comida chinesa com excepção do dito cujo e mesmo assim não é qualquer chau min que me convence. A verdade é que também me preocupa a possibilidade de usarem molho de ostra ou de peixe na mistura, e feito em casa esses dilemas existenciais desaparecem.

Está não é de todo uma versão fiel de chau min; é mais uma versão de trazer por casa, feita com ingredientes que se compram no Mini-Preço. Estão à vontade para acrescentar algas e bambu, mas para nós o objectivo é conseguir ter um jantar decente em 20 minutos com ingredientes que não requerem uma ida ao Martim Moniz. Uma ressalva: no geral, compramos os noodles e o molho de soja de facto no Martim Moniz porque são melhores e mais baratos, mas para quem não pode/quer/tem acesso aos fantásticos supermercados asiáticos um molho de soja qualquer e uns noodles da Milaneza servem perfeitamente. Confirmem só que não levam ovo.

Tudo mais ou menos a olho, mas, como linhas gerais para 3 refeições, é isto:

Numa frigideira anti-aderente, salteiar em azeite um dente de alho esmigalhado e a mesma quantidade de gengibre fresco ralado; acrescentar pimenta preta ao óleo e misturar bem para os sabores de fundirem mas sem deixar queimar. Deitar na frigideira meio talo de alho-francês cortado em meias rodelas e misturar bem para ajudar a soltar as camadas; juntar uma mão cheia de brócolos e uma cenoura média cortados em pedaços pequenos. Juntar meia cuvete (150gr) de cogumelos brancos laminados e misturar tudo muito bem.

Chau min de legumes 2

Como isto é tudo feito muito rapidamente, aconselho a terem tudo cortado e pronto a ir para a frigideira. Deixar saltear um pouco e juntar molho de soja suficiente para envolver bem os legumes a massa que vamos adicionar depois. E agora o truque maravilha: duas colheres de sopa de molho inglês. Atenção, o molho inglês (Worcestershire, se conseguirem dizer) leva tradicionalmente anchovas. Mas se comprarem um dos mais baratos (marca Continente ou Mini-Preço, por exemplo) não há esse problema. De qualquer forma, leiam sempre os ingredientes!

Entretanto, cozer os noodles à parte. Escorrer e envolver nos legumes e molho durante uns 2 minutos e servir!

Boa semana!

Podem sempre seguir o meu álbum de receitas vegan no Pinterest, onde vou coleccionando ideias para experimentar.

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Miscelânea Ocasional – vol. 6

 

Miscelânea Ocasional - vol. 6

O plano inicial não era fazer uma Miscelânea por estação, mas é como a coisa se tem encaminhado e dá origem a um conjunto de micro-posts de tamanho simpático. Eis o que se passa na nossa vida ultra-excitante:

O que andamos a comer

Rolo de aveia e lentilhas – Pratos de forno que dão para fazer com antecedência e alimentar um batalhão nunca são demais. Este rolo foi um sucesso no almoço de Páscoa e mesmo que não seja para uma grande refeição podem fazê-lo, comer e congelar o  que sobrar em fatias para uma jantar rápido em dias mais caóticos.

Hambúrgueres panados – Outro caso de sucesso que dá para fazer em quantidade e congelar.

Chau min de legumes – Ainda não publiquei aqui a receita, mas lá chegarei, porque chau min é mesmo bom. E super rápido de preparar! Eu nunca gostei muito de comida chinesa, sendo o chau min de legumes a excepção. Mas o meu medo em comer chau min num restaurante é de incluir molho de peixe, comum na culinária chinesa. E não, perguntar se leva molho de peixe e confiar na resposta não é opcional.

Tostas de cheddar Violife com cogumelos e oregão – Nós não temos uma daquelas prensas para paninis, mas temos um grelhador do Ikea e com jeitinho e paciência consegue-se um bom resultado. Comemos estas tostas a acompanhar sopa e está feita uma refeição.

O que andamos a ler

Como estamos a chegar a meio do ano, farei em breve um Balanço Literário, tal fiz no ano passado.  Para quem não sabe, eu faço sempre uma lista de leitura para o ano em vigor, ignoro uma boa parte e leio outras coisas. Mas o objectivo é ler sempre mais, portanto resulta comigo. Também participo no desafio Goodreads, que é só um número de livros que nos propormos a ler, sem ter em conta títulos específicos. 

Portanto, assim por alto para não me repetir no Balanço que hei-de escrever:

Sherlock Holmes – usei um crédito que tinha no Audible para “comprar” as obras completas lidas pelo Stephen Fry; estou quase a acabar o último livro e tem sido fantástico!

A Filosofia Segundo Hitchcok – uma análise de vários filmes de Hitchcok com um ponto de vista filosófico, onde os autores abordam temas como a as fronteiras da moralidade, coisas freudianas, coisas nietzschesianas e por aí. Tanto o Freud como o Nietzsche eram um bocado idiotas, mas é interessante ler sobre perspectivas filosóficas num fenómeno como é a obra de Hitchcok.

Mansfield Park – uma releitura de Jane Austen; ando a ler a obras dela em loop há mais de 10 anos e nunca falham em maravilhar-me. Se nunca leram Austen, comecem por aqui para os livros e por aqui para as adaptações cinematográficas&televisivas.

A Cidade e as Serras – já tinha este livro desde o ano passado e achei que estava na altura de ter vergonha na cara e lê-lo; se calhar é blasfémia dizer isto, mas não achei mesmo nada de especial. Pareceu-me uma crítica demasiado caricatural da vida citadina e uma apologia romantizada da vida rural.

Elmer – aqui está um que o Simão até fica mais ou menos a quieto a ver. E ainda não rasgou páginas.

O que andamos a ver

Friends – ainda. São 10 temporadas. Vamos na 9. Mantenho que a Rachel, o Ross e a Pheobe são un idiotas; o Chandler, a Monica e o Joey são uns porreiros. Também continuamos com o Elementar e o Star Trek: Enterprise, tudo pelo Netflix.

The Big Bang Theory e Sobrenatural – Terminámos as respectivas temporadas e agora temos um logo Verão de expectativa; ambas as séries acabaram em suspense.

Bill Nye Saves the World – uma novidade Netflix; o famoso cientista Bill Nye, The Science Guy propoe-se a explorar e explicar as grandes questões científicas que estão a afectar a nossa existência. Ainda só vimos o primeiro episódio e pareceu-me interessante, ainda que um bocado espalhafatoso.

Vimos também recentemente o Hidden Figures e A Bela e o Monstro, ambos óptimos. Desafio-vos a não chorarem nesta cena.

Decidimos rever os Ghostbusters I e II e seguir para o reboot de 2016. Estava extremamente curiosa porque li imensas críticas negativas e criticas às críticas negativas acusando-as de puro sexismo. Para quem não sabe, o reboot segue mais ou menos a história e personagens do primeiro filme, mas o cast é feminino. Sim, são AS caça-fantasmas.  Sinceramente, não achei o filme nem melhor nem pior que o original. O humor é um bocado forçado mas a história faz muito mais sentido, portanto está ela por ela. Suspeito que o ódio ao filme tenha mesmo raízes sexistas.

Brevemente queremos ver o novo filme de animação da Disney, Moana (que traduziram para Vaiana, não percebi o porquê, mas talvez se perceba durante a história).

O que andamos a fazer

O Simão passou uma noite fora de casa sem os pais pela primeira vez e eu dormi até as 9h. É um bocado estranho estar tanto tempo sem ele mas é bom dormir; é este o veredicto.

Escrevi um post que achei banal na altura mas que gerou um sururu inacreditável num grupo de FB onde partilhei. Chama-se O meu filho não tem de partilhar (e o vosso também não). As visualizações do blog ultrapassaram o milhar num só dia (o que para este blog é muito…) e já vai em mais de 400 partilhas. A maior parte das reacções foram boas, estendendo-se desde o “Concordo plenamente” até ao “Nunca tinha posto isto desta maneira, mas faz sentido”. Também houve umas reacções muito más, e não do estilo construtivo. Digo-vos apenas que me chamaram tantos nomes que houve 3 pessoas expulsas do grupo do FB em questão. E estas são as pessoas que acham que devemos obrigar as crianças a partilhar porque temos de ser gentis uns para os outros. Imaginem se não achassem…

Hei-de escrever um post mais detalhado sobre isto, mas andamos a “guardar o sábado”. Passo a explicar: não, não somos judeus e não não seguimos as proibições tipo tecer, fiar, acender fogo, etc. O objectivo é mesmo o de ter um dia de descanso. Mas o fim-de-semana é todo para descansar! dirão vocês. Mas é mesmo? Não passamos os fins-de-semana a correr pelo supermercado, a limpar o que emporcalhamos durante a semana, a ir a 3 reuniões familiares diferentes e sei lá que mais? Bom, não mais! disse eu, depois de ouvir um podcast acerca deste problema cuja sugestão é mesmo esta: ter um dia por semana em que não fazemos nada. Portanto, comemos restos e congelados, não fazemos tarefas domésticas nem compras. Tem sido óptimo e espero em breve poder escrever um post acerca desta experiência.

Para terminar, fomos à Feira do Livro e comprámos o Harry Potter e a Câmara dos Segredos, edição ilustrada – e é L I N D O, L I N D O , L I N D O. Vejam o vídeo no site da Fnac, através do link. Estou ansiosa por introduzir este mundo ao Simão. De momento ele prefere andar a correr nú pela casa. Mas há esperança.

Comprámos também o último livro da Gabriela Oliveira, Comida Vegetariana para Festejar e estou maravilhada! Ainda não fiz nada, mas estejam atentos ao meu Instagram Stories. Almoçámos numa roulote de hambúrgueres 100%vegetariano chamada VeggieLovers e foi óptimo!

Descobri hoje que vai haver uma Festa do Japão dia 24 no Parque das Nações e estou doida para ir ver origamis enquanto o meu marido quer ir ver samurais e tal.

 

Um resto de boa semana cheio de comida saborosa, livros interessantes e maratonas de Netflix!

 

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O meu filho não tem de partilhar (e o vosso também não)

O meu filho não tem de partilhar

Vejam o cenário: chegam ao parque com o vosso rebento; ele leva o seu triciclo/bola/boneca fantástico e colorido e super especial; um ou mais miúdos no parque também querem brincar com o triciclo/bola/boneca e querem que o vosso filho partilhe. Pior, os pais desses miúdos esperam que o vosso partilhe. Afinal, partilhar é bonito.

Partilhar pode ser muito bonito, se não estivermos a falar de doenças contagiosas, claro. Mas noto que há uma obrigatoriedade em cima das crianças de cederem os brinquedos que estão a usar quando uma outra criança chega e joga a carta da partilha. E há sem dúvida um peso enorme em cima dos pais para que ensinem os filhos a partilhar. Porque partilhar é bonito.

Entretanto, o pai/mãe desorientado obriga o filho a ceder os seu fantástico brinquedo interrompendo a brincadeira individual e qualquer história que esteja a ser imaginada e deixando no miúdo a sensação de que partilhar deixa-nos miseráveis. Mesmo que seja para brincar a dois, não era isso que ele estava a fazer e agora tem de se conformar com os desejos do outro só porque o outro assim o quis.

Outro cenário: chegam ao café; compram uma sandes e uma sopa, sentam-se e abrem o vosso portátil para ver o facebook e responder a uns e-mails; um ou mais adultos no café também querem o ver o facebook e quiçá responder a uns e-mails e pedem-vos que cedam o uso do vosso computador. E talvez um trinca da sandes. Estou a fazer-me entender? Porque é que esperamos comportamentos por parte das crianças que seriam ridículos nos adultos? Não estamos a ensinar e modelar como se comportam as pessoas?

É claro que eu empresto algumas coisas a algumas pessoas. Já aconteceu até emprestar o meu telemóvel a transeuntes perdidos que precisam de telefonar a alguém. Mas ninguém me obriga. É esse comportamento que eu quero que o meu filho adopte, que partilhar é muito bonito sim, mas que não temos de ceder as nossas coisas assim que alguém nos pede. Ou nunca, se não estivermos para aí virados. “Não” é uma resposta perfeitamente adequada quando alguém nos pede alguma coisa nossa.

Isto serve também para ensinar barreiras pessoais. É importante para mim que o meu filho saiba respeitar o espaço e os pertences do outros e que não sinta que tem direito a tudo aquilo que cobiça. Por outro lado, também acho importante ensiná-lo a lidar com as frustrações de querer muito brincar com uma coisa que é de outra criança sem vontade de partilhar. Já tive situações constrangedoras de pais a forçarem os filhos a partilhar coisas com o Simão e disse vezes sem conta que não era necessário, que o Simão tem de aprender que o mundo não é todo dele. Mas o estigma do miúdo que não partilha está mesmo arreigado e ninguém quer ser o pai do miúdo que não partilha com um bebé.

Compreendo os pais e educadores que tentam fazer de árbitro e dizem coisas do estilo “Já brincaste x minutos com o carrinho, agora brinca o Joãozinho x minutos”. Não. Não mesmo. É mau porque não é o adulto que sabe se o miúdo acabou a brincadeira em que estava imerso e é mau porque não temos de micro-gerir as interacções de partilha entre crianças. Por mim, até ao momento em que haja alguém a bater noutro ou miúdos mais crescidos a imporem-se nos mais pequenos, eu não vejo grande utilidade em intervir. Mais ou menos como ajo com os adultos.

Também é de valorizar vê-los a perceber que se partilharem com os outros, os outros irão partilhar com eles. Se calhar isto é uma visão um bocado egoísta da lindeza que é a partilha, mas não deixa de ser importante percebermos que os outros tratam-nos como nos os tratamos e que não podemos esperar gentilezas que nós próprios não fazemos.

Idealmente, espero criar um miúdo que queira brincar com os outros e partilhar aquilo que tem a maior parte das vezes; mas espero mesmo, mesmo, mesmo criar um miúdo que entenda que a aprovação do mundo não depende dele próprio ceder aquilo que lhe dá prazer para o prazer alheio. 

Posto isto, não, o meu filho não tem de partilhar os brinquedos se não quiser. E o vosso também não. Mas se alguma vez estiverem perdidos na rua, podem usar o meu telemóvel para fazerem uma chamada, ok?

Bom fim-de-semana!

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The Versatile Blogger Award

versatile-blogger-award

Então, ao que parece fui nomeada numa espécie de corrente entre bloggers. O que é giro, principalmente se tivermos em conta que o título é “Versatile Blogger”, e eu gosto de ser reconhecida como versátil, um verdadeiro camaleão da blogosfera. Foi a Andreia, do blog It’s Ella que me nomeou e isto agora tem umas regras que eu, como totó infoexcluída que sou, vou tentar cumprir sem fazer figura de parva.

As regras são :

  • Agradecer à pessoa que lhe deu este prémio (obrigada Andreia!)
  • Incluir um link para blog da pessoa que te nomeou (done!)
  • Em seguida, seleccionar 15 blogs que descobriste recentemente ou sigas regularmente (mais abaixo)
  • Nomear esses 15 bloggers para o Versátil Blogger Award (2-em-1, se bem que nem todos os blogs da lista são versáteis, alguns são mesmo nichos)
  • Finalmente, dizer à pessoa que te nomeou 7 coisas sobre ti (à pessoa que me nomeou? Isso é uma força de expressão, não? Se eu vou publicar aqui no blog, estou mas é a dizer ao mundo inteiro. Mas está certo, vou abster-me de dizer coisas inapropriadas para audiências mais sensíveis)

Blogs que sigo regularmente:

Fita de Viés – Um blog especialmente focado em ensino doméstico e costura que gosto imenso de ler.

Maria Patanisca – Tricot, crochet, costura, todas essas coisas para exercitar a criatividade.

Viver com Intenção – Comecei a seguir este blog ontem. Chamou-me a atenção a série de posts “Como não gastar dinheiro desnecessariamente”.

Rascunhos de Maria – Outro que comecei a seguir muito recentemente. Livros et tal.

Miss Onion – Receitas 100% vegetarianas e com um aspecto infinitamente mais saudável que aquilo que eu costumo comer.

Cook the Beans – Comida (vegetariana) e viagens, o blog ideal para invejar alguém via internet.

Sardinha Fora da Lata  – Mais comida vegetariana (estamos a ver aqui um padrão, não?)

Vegan Portuguesa –  A viagem de uma uma recém-vegana. Tem algumas receitas, produtos, links, etc.

Uma Família Verde –  Tal como nós, uma família de 3 a navegar as águas do veganismo, fraldas de pano, ecologia, entre outras coisas.

O Dia da Liberdade – Um blog sobre família, livros, filmes, passeios, enfim, a vida no geral e coisas boas em particular.

Cantinho da Rose –  Não sendo vegetariano, gosto sempre de ver comida apetitosa e depois veganizar as receitas.

My Tiny Green Kitchen – Mais comida (eu sei, eu sei). A autora não identifica o blog como sendo vegano, mas até agora ainda não vi nada que não seja.

Sala Esgotada – Uma dose de novidades cinematográficas.

Free-Range Kids – Este é um blog super conhecido, da jornalista Lenore Skenazy, “A Pior Mãe do Mundo”, cognome que ganhou por ter deixado o filho de 9 anos andar sozinho no metro de Nova York. É um blog cheio de bom senso que exige para as novas gerações a liberdade que todas as outras tiveram para explorar o mundo.

The Scientific Parent – Se calhar vai surpreender algumas pessoas que me acham uma hippie que vive à base de óleos essenciais e cheira a patchouli (detesto, btw) mas considero que a ciência é uma fonte indiscutível de sabedoria. Quando digo ciência,  estou a incluir sim, a medicina convencional E a alternativa, tudo com bases científicas, teóricas e empíricas. Da mesma maneira que não levo a sério quando a médica pediatra me diz que o leite de vaca é necessário também não ligo nenhuma a quem garante que as vacinas são uma conspiração para tornar as nossas crianças zombies.

7 coisas sobre mim:

  1. Tenho 3 irmãs, e temos temperamentos e personalidades completamente diferentes umas das outras
  2. Quando era miúda queria ser arqueóloga
  3. A minha personalidade Myers-Briggs é INTJ, o explica muita coisa
  4. Apesar do ponto acima, não tenho grande fé em psicologia
  5. Gosto mais de salgados do que doces
  6. Detesto surpresas
  7. O meu super-poder é saber escolher o presente ideal; nem sempre tenho é dinheiro para concretizar

É isto. Acho que fiz tudo bem. Mas se não fiz, não me digam, deixem-me ficar na glória.

Boa semana!

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Hambúrgueres Panados

Hambúrgueres Panados 1

Ontem tive mais uma aventura em que vou publicando no Instagram Stories uma receita conforme vou cozinhando. Parece que tem sucesso porque as pessoas seguem a coisa até ao fim. É isso, ou estão a ver se há algum video do Simão a fazer figura de parvo mais para a frente. De qualquer forma, hambúrgueres! Toda a gente gosta de hambúrgueres, porque a definição actualmente é meramente uma coisa redonda achatada que se come. Sim, a maior parte das pessoas pensa em carne quando pensa em hambúrgueres, mas realmente, tudo dá para “hambúrguerizar”. Veja-se o sucesso da Vegana Burguers, no Saldanha. A minha preferência vai para os de leguminosas e cereais, combinações tipo grão, quinoa, feijão, etc. Mas esse tipo de hambúrgueres costuma ter uma tendência para se desfazer um bocado se tentarmos panar e eu queria mesmo recriar o típico panado que se come só assim ou em sandes. E, sobretudo, que congelasse bem para poder fazer um batalhão deles e tê-los pronto a deslizar para a frigideira em dias de stress culinário (sim, mesmo quando planeamos uma ementa semanal, shit happens).

Testei várias maneiras de fazer hambúrguer de tofu OU de seitan e os primeiros ficavam sempre a desfazer-se e os segundos meio borrachosos. Então, porque não misturar? A primeira receita que testei foi da Myioko Schinner, onde ela recria “peitos de frango” com “pele” chocante feita de yuba. Eu não quero uma coisa que se pareça com peito de frango com pele, mas aceito de bom grado uma mistura firme e tenra, como a do peito de frango. E aqui chegámos. Em vez de “peitos” faço no formato de hambúrguer, troquei alguns temperos mais ao meu gosto, as proporções  foram ligeiramente alteradas e eliminei a dita pele para dar lugar a um panado.

para 16 hambúrgueres 

Num processador, triturar:

250 gramas de tofu médio (não do suave, nem do muito firme)

4 colheres de sopa de levedura nutricional

2 colheres de sopa de cebola em pó

2 colheres de sopa de alho em pó

1 colher de sopa de mostarda de Dijon (opcional, só para quem gosta)

1 colher de chá de sal

1 colher de chá de pimenta preta

1/2 chávena de água em que foi dissolvido um cubo de caldo de legumes*

3 colheres de sopa de azeite

1 colher de sopa de molho de soja

Depois de tudo bem misturado (primeira foto), juntar 2 chávenas de farinha de glúten e deixar as lâminas fazerem o trabalho pesado de amassar tudo até ter o aspecto da segunda foto. Podem por mais ou menos farinha de glúten se quiserem alterar a consistência final: mais farinha = mais firmeza.

Hambúrgueres Panados 2

Formar um rolo e cortar em 16 disco. É suposto serem pequenos e fininhos porque vão inchar bastante durante a cozedura. Dourar de ambos os lados num pouco de azeite numa frigideira funda (vão precisar de profundidade para o passo seguinte e é escusado lavar mais loiça, certo?). Este passo não é obrigatório para a confecção dos hambúrgueres, mas a Myioko sugere fazê-lo na sua receita e eu acho que é sempre boa ideia alourar coisas em azeite.

Hambúrgueres Panados 3

Quando já todos os hambúrgueres tiveram passado pela frigideira, voltar a po-los bem acamadinhos e cobrir com água a ferver temperada com alho, louro, molho de soja, molho inglês (cuidado, comprem sem anchovas) e/ou qualquer outro tempero a gosto. Vai a cozer meia hora. Retirar, deixar arrefecer e panar com uma mistura de farinha de grão e água quente, temperada com sal e pimenta, e depois pão ralado (eu uso uma mistura 50/50 do normal e do crocante). Então prontos a ir à frigideira de novo o podem ser congelados, o que dá imenso jeito para as refeições feitas à pressa.

 Hambúrgueres Panados 4

*uso chávenas de 250 ml

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Pó Absorvente sem Talco

Pó absorvente sem talco 1

Nos últimos anos tem havido algum zum-zum acerca dos riscos de cancro associados ao uso de talco. Na verdade, o grande risco era devido à contaminação por amianto, coisa que, aparentemente, está já controlada. No entanto, há vários estudos que indicam uma ligação, ainda que inconclusiva. Como talco não é um bem essencial à vida humana, porque não evitar a coisa e arranjar opções?

Coisa mais simples de fazer, não há. Partes iguais de amido de milho e argila branca e já está! A bem dizer, até podiam usar só amido ou só argila, mas eu gosto da mistura. Acrescento ainda calêndula e camomila bem trituradas. Tenho alguns escrúpulos em aconselhar ervas, porque sei lá ao que é que as pessoas são alérgicas, mas para nós tem sido uma boa mistura. Deitar tudo no frasco e agitar para misturar bem!

Pó Absorvente sem talco 2

Comprei este frasco na Muji, que até tem umas marcas de lado, o que facilita a medição. A tampa é fina o suficiente para ser possível fazer uns furos com uma agulha de lã e um martelo.

Pó absorvente sem talco 3

Usamos este pó para absorver humidade indesejada na pele. Eu, por exemplo, gosto de polvilhar as axilas antes de fazer a depilação com máquina, porque as pinças agarram os pêlos muito mais facilmente quando estão bem secos. Para o Simão usamos maioritariamente óleo de amêndoas doces com calêndula e camomila, mas ocasionalmente também é polvilhado na zona da fralda. Se tiverem problemas com suor em virilhas e coxas que cause fricção desagradável, também é bom.

Boa semana!

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