Perguntas Parvas e Afins – vol. 5

Perguntas Parvas e Afins - vol. 5

(outras edições 1 2 3 4)

Há tanto tempo que não faço um “Perguntas Parvas e Afins” que o leitor mais ignorante na matéria poderá pensar “Será que ninguém tem feito comentários parvos à Susana em relação à sua alimentação?”. E aí, caro leitor inocente, está muito enganado. Mas como ganhei o gosto por fazer eu a imagem inicial do artigo ao invés de copiar desavergonhadamente das internets, desde o último volume da coisa, tenho andado a procrastinar até ter tempo de fazer uma coisa engraçada. [um aparte que não tem nada a ver mas que é fantástico: sabiam que há um santo padroeiro dos procrastinadores?]

Como já disse aqui vezes e vezes sem conta, não me dedico a fazer “evangelização”. Nem sequer me lembro da última vez que fui eu a iniciar a conversa do veganismo (provavelmente nunca…). Mas as pessoas têm curiosidade e acham que têm argumentos válidos e originais e, naturalmente, querem conversar enquanto eu tento comer o meu tofu sossegada.

Enfim, hoje dediquei-me a uma das mais básicas. A conversa costuma ser assim:

Omni iluminado: Mas se temos dentes caninos é porque estamos programados para comer carne!

Euzinha, a revirar os olhos até ver o cérebro, mas ainda assim, a tentar ser paciente e esclarecedora: Muitos animais herbívoros têm caninos MASSIVOS e não comem carne. O gorila, por exemplo, come maioritariamente folhas e frutos (embora possa comer térmitas e ocasionalmente restos de caça de outros predadores). O hipopótamo e o camelo são 100% herbívoros e têm também caninos, sendo que os do hipopótamo são ENORMES. De qualquer forma, mesmo que não houvessem estes exemplos na natureza, o ser humano é (esperamos nós) racional e deve tomar decisões éticas com base nas suas reais necessidades. 

Um artigo para lerem sobre caninos herbívoros se para aí estiverem virados. Mas a sério que o resumo é : caninos não indicam a necessidade de comer carne.

Um resto de boa semana e votos de muitas conversas esclarecedoras!

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Planear uma ementa semanal

Planear uma ementa semanal

Ao fim de um ano bem sucedido a planear ementas semanais acho que já posso partilhar sabedoria. Porquê planear as refeições da semana?

  1. Mais variedade: como é tudo decido de antemão e revisto, comemos de forma mais variada em vez de recorrermos sempre às mesmas receitas.
  2. Menos stress: em meia-hora aos Domingos fica tudo escolhido tendo em conta como vão ser os nossos dias; assim, não há o stress de “não temos nada para comer!” num dia em que chegamos a casa às 20h.
  3. Mais poupança: a lista de compras é feita juntamente com a ementa e de acordo com o que de facto vamos precisar.

Antes de me alongar no meu método de planear ementas, quero deixar bem claro que, antes deste ano bem sucedido, falhei redondamente algumas vezes. Coisas que NÃO resultaram connosco (mas que até podem resultar com outras famílias, isto é só um aviso geral):

  1. Planear muito detalhadamente: é praticamente impossível saber quanto vai sobrar de uma lasanha ou se a frutaria vai ter abacates maduros quando planeámos comê-los. Flexibilidade malta!
  2. Não ir às compras logo no início da semana: se calhar somos só nós que temos estas paragens cerebrais, mas quando se planeia x refeições e se faz uma lista de x compras, bom, convém de facto ir à loja.
  3. Planear os dias isoladamente: apesar do ponto 1, tenham em conta que vão haver restos, que o arroz integral pode ser cozido em dobro para outro dia, que há refeições que podem ser congeladas para mais tarde, etc.
  4. Desistir: é preciso insistir, experimentar novos métodos de planeamento, dar-nos espaço para falhar e melhorar. Se eu não tivesse desistido da primeira vez que tentei planear a ementa semanal e correu mal, hoje já teria tido uns 6 anos de semanas bem organizadas.

Eu tenho um quadro de cortiça na cozinha onde afixo (entre outras coisas) o ementa da semana. Como eu sou muito artística (aheeemm…) fiz uma tabela A5 com os dias da semana a condizer com a pintura da cozinha que imprimo duas por página e corto ao meio. Mas como é óbvio, qualquer folha em que escrevam os dias da semana e façam um traço a separar serve. Eu gosto de coisas bonitas e a condizer e isso incentiva-me a preencher a ementa.

Todos os Domingos dou uma vista de olhos aos que está no frigorífico, despensa e congelador. O jantar de Domingo costuma ser os restos da semana ou qualquer coisa que esteja congelada. Aponto logo na lista de compras o que falta, incluindo géneros não-alimentares tipo papel higiénico e detergente. Depois sento-me com a lista de compras e  a agenda aberta e começo a escrever.

Regras gerais que resultam connosco:

  1. Um prato por dia: dois se um deles (ou os dois) forem coisas de uma só refeição (tipo fritos, é foleiro comer fritos re-aquecidos). Assim há sempre sobras para o almoço do dia seguinte e por aí adiante. Se sobrar mais que isso geralmente congelamos em porções individuais para o meu marido levar para o trabalho nos dias em que não sobrou nada.
  2. Variar: uma refeição de fritos apenas (ou nenhuma); variar os hidratos de carbono; variar as fontes de proteína; variar os legumes. Por exemplo, costumamos ter 2 ou 3 refeições com arroz, outras tantas com massa e 1 ou 2 com batata, couscous ou quinoa; 1 de grão, 1 de seitan, 1 de soja/tofu, 1 de feijão; etc. Claro que isto é flexível e não é de um momento para o outro que se consegue encaixar estas variáveis todas numa ementa semanal, requer prática!
  3. Duas refeições de sopa: nós não comemos sopa a todas as refeições. Não gostamos e, sinceramente, legumes suficientes comemos nós bem. Mas fazemos sempre uma panela de sopa para duas refeições e também para o Simão levar todos os dias na lancheira. Acompanhamos a sopa com uma focaccia de alho e ervas, pão com chouriço, scones salgados ou simplesmente com umas torradas com azeite a alho.
  4. Ter uma lista de refeições para referência: está é, para mim, a melhor ferramenta para cumprir com os preceitos acima mencionados. Façam uma lista de 10, 15, 20 refeições que a vossa família come mais vezes. Pronto. Agora, quando estiverem a planear as vossas ementas semanais já não há motivo para ter brancas, é só consultar a lista. Eu já tenho a minha há algum tempo e entretanto já a passei para um ficheiro excel, com indicações coloridas do tipo de hidrato/proteína que têm, frito ou não, se precisa de preparação de antecedência, etc. Ajuda imenso  a variar, quando preciso de encontrar uma refeição de grão (bola amarela) com arroz (A) : Caril! Mas para quem está a começar, não aconselho entrarem já neste sistema obsessivo-compulsivo, basta uma lista com os nomes das refeições.
  5. Divulgação, Divulgação, Divulgação: depois de ter terminado o rascunho e corrigido o necessário, passo a ementa para a tabela bonita e afixo na cozinha; aponto também na minha agenda as refeições nos dias respectivos; tiro uma foto com o meu telemóvel e deixo guardado para consulta de emergência. Como sou eu que faço a ementa o meu marido não tem como adivinhar o que é para cozinhar a não ser que esteja visível; assim não tem de passar a semana toda a perguntar-me o que é para fazer ao jantar. E para quem tenha filhos mais crescidos é uma maneira de toda a gente saber o que se vai comer e até adiantarem a preparação do jantar (ponham os putos a cozinhar, para que é que os temos se não para trabalharem?)

Planear uma ementa semanal 2

Entretanto comecei há 3 semanas a planear também os pequenos-almoços para variarmos mais e sairmos da rotina torradas, aveia, torradas. Mas isso fica para outro post.

É isto! Alguém que também faça ementas semanais que queira contribuir com mais ideias?

Podem sempre seguir o meu álbum de receitas vegan no Pinterest, onde vou coleccionando ideias para experimentar.

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Legumes à Brás

Legumes à Brás 1

Quando andava na faculdade ia frequentemente almoçar à cantina. Não sei se é o caso de todas as cantinas universitárias, mas a da FCSH tem sempre prato vegetariano ao almoço. E, no geral, é bastante bom (ou era, não como lá há uns 4 anos). Para além de ter um prato vegetariano, as vantagens de comer na cantina eram várias: não lavo loiça, não vou ao supermercado, como num instante entre aulas e é barato. E a fila do “Macrobiótico”, que era como lhe chamavam na ementa, era sempre mais curta que a outra. Excepto nos dias do “Alho-francês à Brás”. Nesses dias, a fila para o prato vegetariano ultrapassava a do lado e saía pela porta do refeitório. Era mesmo bom. Em casa, quando ainda usava ovos, fazia muitas vezes Cogumelos à Brás. Fast-forward aos dias de hoje e decidi juntar ambos os pratos e substituir o ovo por um mix de natas Shoyce e farinha de grão.

Começamos por descascar, cortar em palitos e fritar batatas. Deixar a escorrer em papel absorvente e temperar com sal. Gostava de comprar uma daquelas fritadeiras sem óleo, mas de momento é mesmo à moda antiga, com a fritadeira funda cheia de óleo ao lume.

Enquanto as batatas fritam, refogar em cebola, alho, sal, pimenta e louro, alho-francês cortado em meias rodela e cogumelos laminados. Para duas refeições, usei dois talos e uma cuvete de cogumelos. Misturar bem um pacote de natas (usei Shoyce) com uma colher de sopa de farinha de grão, sal himalaio (o travo a ovo) e pimenta. Também acrescentei uma colher de café de alho e cebola em pó, mas isso é uma questão de gosto. Juntar as batatas fritas aos legumes e envolver tudo com as natas. Deixar cozinhar uns 5 minutos, mexendo sempre, porque senão vai ficar compactado.

Legumes à Brás 2

Servir com uma dose simpática de salsa picada, uma salada fresca e, se gostarem, umas azeitonas.

Legumes à Brás 3

Boa semana!

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Chouriço Vegetariano

Chouriço Vegetariano

Quando pensamos bem no que é um enchido, chegamos à conclusão que o nome é auto-explicativo. É uma tripa enchida com carne da própria vítima. Aqui não há tripas nem carne, apenas seitan bem temperado. E, no fim de contas, são os temperos que fazem a festa. Este enchido, não é, de facto, enchido, mas sim moldado em forma de cilindro, mas vamos alinhar na coisa e dar-lhe esse nome. O meu objectivo era fazer um rolo saboroso e genérico, assim a dar para o chouriço, mas nada que tivesse um sabor muito forte e que dominasse as receitas. O resultado foi este e resulta super bem em feijoadas, pizza, e até num “pão com chouriço“.

A receita é um mix entre seitan normal e rolo de seitan.

1)Demolhar 1/2 chávena de bulgur em água a ferver, tapado, até o bulgur ter absorvido tudo.

2) Numa taça larga, misturar bem 250 gramas de farinha de glúten, 50 gramas de farinha de trigo, 1 colher de sopa levedura de cerveja, 2 de colorau, 1 de alho em pó, 1 de cebola em pó, pimenta q.b.

Chouriço Vegetariano 2

3)Preparar o líquido misturando 300 ml de água quente, 200 ml de vinho tinto,1 cubo de caldo de legumes, 1 fio de azeite, 1 colher de sopa de harissa, duas de massa de pimentão, 1 de mostarda, umas gotas de fumo líquido e 1 dente de alho esmigalhado.

Chouriço Vegetariano 3

4)Juntar o líquido e o bulgur à farinha e misturar bem. Dividir em 4, formar rolos e enrolar em papel de alumínio. Levar ao vapor 45 minutos. Esperem até os rolos arrefecerem antes de desenrolar para evitar queimaduras e que se desfaçam. Quando estiverem frios ficam mais rijos.

Chouriço Vegetariano 4

É isto! Podem usar em tudo o que levaria algum tipo de enchido e congelam muito bem. Ontem ainda fiz um pão com chouriço que ficou mesmo bom (usei a massa deste pão, juntei meio rolo picado e deixei levedar durante a noite ao pé do aquecedor, dentro da forma rectangular).

Pão com Chouriço

Bom fim-de-semana!

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Histórias de Veganismo – 1

Histórias de Veganismo 1

Lembrei-me de começar um crónica acerca das histórias pessoais de quem é ou está a caminho do veganismo. Porque toda a gente tem contextos e motivações diferentes e muitas vezes nem sempre é fácil dar o passos necessários quando a estrada parece infinita. Vamos começar com a minha história e espero arranjar mais voluntários dispostos a partilharem as suas!


O meu nome é Susana e tenho 28 anos. A minha mãe diz que eu recusei comer carne quando me foi introduzida na alimentação e que ela fazia uma mistela de soja e espinafres, indicada pelo médico. Eventualmente lá entrei no esquema a que somos todos mais ou menos obrigados: carne é essencial na alimentação. Que me lembre, nunca questionei esta lógica nem voltei a recusar comer seja o que for, com a excepção de queijo, que só tolerava derretido na pizza. Quando o lanche na escola era pão com queijo lembro-me de implorar à minha mãe para me ir buscar mais cedo. Ela dizia que sim, mas depois devia achar que era disparate meu e nunca ia. Eu, que acredito em manobras subversivas, tirava as fatias de queijo do pão e atirava-as para debaixo da mesa, idealmente para longe de mim para não ser apanhada. Ovos também nunca me agradaram, mas como não era alimento que nós consumíssemos muito, nunca houve questão com isso.

Com 10 anos tive a minha primeira experiência vegetariana a sério. Fomos passar umas férias no Verão a uma comunidade budista nos Alpes e a comida era vegetariana e maioritariamente cultivada lá. Não vou dizer que tive uma epifania nessa altura e que me tornei uma criança activista desde então, mas sem dúvida que essa experiência plantou a semente. Isso e o facto de eu ter uma tendência para as manobras subversivas…

A minha primeira tentativa no sentido do vegetarianismo foi com uns 13/14 anos. A proposta aos meus pais era que iria fazer uma alimentação ovo-lacto-vegetariana e foi aparentemente aceite. Mas rapidamente veio a questão de “ao menos come o que está no congelador” e “desta vez não temos tempo para cozinhar, vamos comprar um frango assado”, entre outras. Desisti.

Quando entrei no secundário conheci a primeira pessoa (ovo-lacto-) vegetariana da minha idade numa família omnívora e foi o que precisei para ganhar força. 6 meses depois, com 16 anos, num Domingo enquanto almoçávamos costeletas de porco, disse à minha mãe que não ia continuar a comer animais. Na altura, vivia com a minha avó aqui em Lisboa e quando regressei do fim-de-semana com a minha mãe contei-lhe acerca da minha resolução, deixando claro que eu me iria responsabilizar por compras e refeições, sem encargos nem dificuldades para ela. Foi complicado, porque ela fazia questão de ser ela a ir ao supermercado e fazer a comida e porque ela não compreendia o porquê da mudança. A minha irmã mais velha (que também viveu com ela até à idade adulta) teve uma fase em que deixou de comer carne vermelha e a minha avó achou que eu também poderia ser persuadida a ficar-me por ai. A primeira refeição que me fez (porque insistiu em fazer o almoço) foi guisado de lulas. Eu, pacientemente, comi só as batatas e expliquei, mais uma vez, que não ia comer nada que fosse um animal. No dia seguinte, peito de frango. Bom, a primeira semana foi pouco vegetariana, mas depois entrámos no caminho certo.

Pela mesma altura deixei de comprar cabedal  (não que usasse muito, mas passei a ter mais atenção à composição das peças) e produtos testados em animais. Nunca fui de ir a circos  e ainda menos touradas. Aliás, comecei a participar ocasionalmente em protestos contra o uso de animais no entretenimento. Houve vários momentos em que tentei cortar com os derivados, mas foi-me impossível naquela altura. Eu, que nunca comi ovos sem ser nos bolos e que não gostava de queijo, acabei por AUMENTAR o seu consumo, porque era o que a minha avó sabia cozinhar (a insistência em alimentar-me era grande). As minhas convicções ganharam mais força conforme me ia informando acerca do assunto. O livro “Libertação Animal” do Peter Singer teve um papel central em organizar as minhas ideias.

Quando saí de casa, com 19 anos, e fui viver para um apartamento com outros estudantes ganhei outra liberdade. A minha faculdade, a FCSH, tinha sempre almoço vegetariano e, estando eu livre para comprar/cozinhar o que quisesse, fiz um corte radical na frequência  com que consumia derivados. Manteve-se o queijo na pizza, leite, ovos mexidos ocasionais e béchamel. O passo seguinte veio 2 anos depois quando eu e o meu marido (namorado na altura) fomos viver juntos. O leite passou a vegetal e o béchamel/natas também. De seguida foram os ovos. Rapidamente ficámos apenas com o queijo na pizza; tudo o resto era barrado de entrar em nossa casa. Pequenos ajustes quotidianos que fazem uma grande diferença no fim. A família, que remédio, teve de aceitar. A minha sogra ganhou gosto por testar novas receitas vegetarianas e hoje em dia é ela quem distribuí receitas a toda a gente no local de trabalho.

Ainda comíamos lacticínios e ovos de forma indirecta em casa de outras pessoas. Não, não é porque gostássemos muito e não conseguíssemos resistir. O motivo é, ainda hoje, para reflectir: quando vamos a casa de alguém que, sabendo que somos vegetarianos, cozinha ou compra algo propositadamente  para nós, mesmo com derivados (porque o termo vegetariano ainda é muito sinónimo de ovo-lacto-vegetariano) como recusar? E que consequências terá essa recusa? Eu não acho que façamos grandes favores à causa dos direitos dos animais ao ofender as pessoas que estão genuinamente a tentar acomodar a nossa alimentação. Passamos por idiotas, ingratos, complicados, radicais, fundamentalistas, e tudo isso. Estes termos podem e devem ser discutidos, mas a questão principal é : que imagem passamos? É a que vai mudar mais mentalidades ou é a que vai fazer com que as pessoas não queiram nada connosco?

Ainda assim, tornou-se insustentável continuar a consumir derivados e fizemos o corte completo. Claro que hoje em dia é muito, muito, muito mais fácil que há 12 anos. Há veganos na novela, há veganos no programa da manhã, há veganos no parlamento. Há restaurantes veganos, supermercados, cosméticos; o vegetariano já não é o hippie tresloucado como a Phoebe do Friends. E cada vez mais vão saindo estudos e documentários acerca das consequências ambientais, políticas, económicas e físicas da alimentação omnívora.

Respirei de alívio quando foi aprovada a lei da alimentação vegetariana nas escolas. Desde sempre que ouvia o típico “então e vais obrigar os teus filhos a serem vegetarianos?” “então e na escola?”. A conversa foi subindo de tom quando engravidei e agora, com o meu Simão já todo crescido do alto dos seus 14 meses, posso dizer com imenso orgulho que sim, o meu filho é “obrigado” a ser bondoso e consciente do mundo e dos seres vivos  com que o partilha.

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Miscelânea Ocasional vol. 5 – edição de Primavera

Miscelânea Ocasional - vol. 5 Primavera

Não escrevia uma Miscelânea desde a edição de Dezembro o que é uma parvoíce porque eu gosto bastante de deixar por escrito as coisinhas e ideizinhas que andam para aqui. É uma espécie de colecção de micro-posts.

O que andamos a comer

A minha festa de aniversário não foi tão extravagante como a do Simão, em boa parte porque já não sou novidade (sim, o Simão que não se habitue, mais meia dúzia de anos e passa a ter batatas fritas de pacote e meio pão de forma barrado com manteiga de azeite).

Ainda assim, fiz três pastas para barrar e um cesto de hidratos de carbono para serem barrados. Ainda tinha 3 sticks de manteiga de alho e ervas de outra refeição e não há nada como servir restos aos convidados, certo?

Festa de aniversário 1

As pastas são: hummus de beterrada, patê de cogumelos e queijo-creme de ervas.

Mais rolos de canela e croissants de chocolate (feitos com a mesma massa levedada, foi dividir e rechear) e estava feita a festa.

Lumaconis. Estou viciada em rechear lumaconis. E comê-los.

Duas sopas novas: creme de brócolos e sopa de cebola! Ainda tenho de afinar umas coisas, mas em breve publico as receitas.

Pizza com mozzarella Violife, que nunca tinha experimentado. Até agora, é o melhor queijo para pizza que já experimentados. Opiniões?

Pizza com Violife

Comecei a publicar (quase) diariamente A Lancheira do Simão no Stories do Instagram e, mais recentemente, no grupo do Facebook Crescer Vegetariano. Basicamente é para tentar mostrar e normalizar a alimentação 100% vegetariana de uma criança. Não é perfeita, no sentido em que há iogurtes com algum açúcar, há pão branco, há bolachas, enfim, é uma alimentação consciente, mas realista para aquilo que é o nosso contexto familiar.

O que andamos a ver

A Teoria do Big Bang, temporada 10 através do site da CBS. A sitcom perfeita com um equilíbrio de humor parvo, humor inteligente e relações de amor e amizade complexas. E a  dupla Mayim Bialik/Jim Parsons está cada vez melhor.

Sobrenatural, temporada 12, através do site da CW. Está a ser deveras emocionante. O episódio 12 foi ao estilo Pulp Fiction  e o arco “Men of Letters” está a desenvolver bem. E não se perde nada em ver 2 homens bonitos em camisas de flanela.

Vi o Charade pela primeira vez! Já não sei onde li que é o melhor filme de Hitchcock que não foi feito pelo Hitchcock, o que me parece uma boa recomendação a juntar às interpretações da Audrey Hepburn e do Cary Grant. Como o filme está em domínio público devido a uma falha no copyright, é possível (e legal) vê-lo por inteiro e com boa qualidade no Youtube.

Andamos a ver o Friends no Netflix há já algum tempo e agora vamos a meio da temporada 8. Vi as 10 temporadas umas 3 vezes seguidas quando passaram na RTP2 em loop, mas o meu marido nunca tinha visto. São 20 minutos engraçados, mas convenhamos que a vida adulta NÃO é assim. As pessoas normais têm de sair do café e ir trabalhar… A nossa conclusão: gostamos da Monica, do Chandler e do Joey; a Phoebe, o Ross e a Rachel são uns idiotas.

Elementar, no Netflix. Não é fantástico, mas serve para a ressaca do Sherlock. É uma versão das aventuras do Sherlock Holmes passada em Nova York. Watson é Dra. Joan Watson, contratada pelo pai de Sherlock para mantê-lo sóbrio. E resolvem crimes.

Star Trek: Enterprise. Blah. Começámos a ver esta porque prometia explicar as origens da exploração espacial humana, da Federação, etc. Vamos na 2.ª temporada e só 3 episódios valeram mesmo a pena: primeiro e último da temporada 1 e primeiro da 2. Consultei as internets que asseguram valer a pena ver a 3 e a 4, portanto talvez passemos para aí directamente.

Menção de honra para o Era uma vez, que regressou do hiato em que estava e que já tem um novo episódio no Netflix. Já tenho planos para os serão.

E estamos a uma semana da estreia da Bela e o Monstro. YAY!

O que andamos a ler

Comecei a História de Portugal no início do ano e estou quase a acabar! Yay! Admito que passo à frente as páginas relativas aos gabinetes e ministérios do século XVI. Mas há momentos na história que me deixam em pulgas para ir ler mais, tipo o processo dos Távora e e as invasões napoleónicas.

No campo dos audiolivros, acabei 3 livros da Lucy M. Montgomery, Anne of Avonlea, Anne of the Island e Anne’s House of Dreams. O último já se arrastou um bocado e acho que se não tivesse a desgraçada da Leslie Moore para dar interesse à história tinha-me ficado pelos primeiros capítulos. Vou dar descanso à Anne e talvez mais tarde volte para ler mais uns quantos. Entretanto comecei o Drácula. Tudo através do Librivox!

Outros links

Visão – Um estudo acerca da ligação entre consumo de soja e cancro de mama (spoiler, não provoca nem previne)

Independent – Já tem uns meses, mas só li agora: artigo de opinião “Vegan diets for children aren´t abusive – raising a child to eat meat is actually more extreme”.

Washington Post – Batatas! Não são o demo, pelo contrário. Como uma boa fonte de nutrição ganha uma má reputação.

Toda a gente devia ter um prato da casa. 

New York Times – Querem chorar? Escritora em fase terminal escreve um “perfil” adorável para o marido, incentivando-o a “começar uma nova história de amor” como a deles – You May Want to Marry my Husband.

E é isto!

Bom fim-de-semana!

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Manteiga a sério

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Quem segue o meu Instagram é frequentemente brindado com vídeos e fotos no Stories de coisas que o Simão come. Comecei recentemente a publicar a lancheira diária que leva para a ama e ontem achei que era de interesse publicar essa foto também no Facebook, na página do blog e no grupo Crescer Vegetariano. Parece que de facto interessa a muita gente porque houve muitos likes e coraçõezinhos e essas coisas. Nos comentários a receita da manteiga de azeite foi bastante requisitada e portanto vamos já satisfazer a audiência.

Manteiga, como sabemos , está fora da alimentação de um vegano. As margarinas vegetais, para além de não serem grande coisa, muitas vezes contêm óleo de palma, que também não é a gordura de eleição para veganos.  (este link não é fantástico, mas está em português). Nós raramente consumimos coisas com óleo de palma (hello oreos) não só pela questão ética mas também porque comemos maioritariamente frescos, cereais, leguminosas e coisas com poucos ingredientes no rótulo.

Então, como fazer uma manteiga que seja uma fonte de gordura saudável, ética, 100% vegetal e que não só saiba bem mas que se comporte como a manteiga tradicional? Ou seja, que se mantenha consistente à temperatura ambiente, que derreta nas torradas, que dê até para cozinhar? 

A minha primeira experiência foi com este vídeo do canal de YouTube EverydayDish. Depois pesquisei várias receitas e proporções e cheguei à conclusão que estava toda a gente a fazer basicamente o mesmo: maioritariamente óleo de côco, um pouco de outro óleo líquido, um leite vegetal e um emulsificante.

Portanto, não posso dizer que a receita seja de minha autoria, é mais o resultado do que está toda a gente a fazer! As proporções entre gordura e leite são sempre as mesmas porque têm como base as proporções na manteiga láctea. A maioria da gordura é de côco, mas “manteiga de côco” soa a protector solar tropical, portanto vamos chamar-lhe manteiga de azeite. Sorry, côco.

Derrerter 1 1/2 de óleo de côco refinado (não querem manteiga a sabor a côco, certo?) e juntar na liquidificadora a 1/4 de chávena de azeite. Eu uso um azeite de gosto bastante, mas se o sabor for muito intenso para vocês, óleo de girassol serve. Ainda quero experimentar com outros óleos tipo amendoim e sésamo para ver como fica.  Acrescentar 1/2 chávena de leite vegetal; a minha escolha vai para aveia porque é mais cremoso, mas acho que qualquer um serve desde que não tenha açúcar. Eu uso 1 colher de chá de sal marinho, mas podem usar metade, o dobro, nada, aquilo que a vossa hipertensão permita. Agora o mais importante: 4 colheres de chá de lecitina de soja em pó. Não é um ingrediente fácil de encontrar. A primeira que comprei foi líquida* (como a do vídeo), mas sabia mal, mal, mal,  e passava o sabor para a manteiga. Depois comprei em grânulos, que não se dissolveram devidamente. Tudo isto no Celeiro. Depois desisti e comprei online em pó. Como eu costumo fazer compras pela Amazon, junto várias compras para poupar nos portes. Se não for o vosso caso, procurem no Celeiro, ou em qualquer loja desse tipo. Talvez se triturarem primeiro os grânulos se dissolvam melhor? Também podem ignorar a emulsão por completo, não usar nem leite nem lecitina, mas aí o resultado é diferente (o que não quer dizer que não seja saboroso!).

Enfim, deixar liquidificar durante 2 minutos. Pode ser preciso parar a meio para não sobreaquecer a liquidificadora. Deitar no recipiente que vão usar ou em formas de silicone para um efeito bonito. Eu coloco no congelador para ser mais rápido a solidificar e não correr o risco de separar o óleo do leite (em princípio não acontece, mas não custa prevenir). Depois vai para o frigorífico e está pronta a usar. Esta é uma receita de base, podem ser criativos e juntar alho e ervas na liquidificadora a têm uma manteiga aromática óptima!

manteiga-2

A dita manteiga aromática feita numas cuvetes de silicone

* em princípio, se usarem lecitina líquida a quantidade necessária é metade.

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